Real
Seguros vai entrar no capital de nova seguradora
angolana
06/12/2004
A
seguradora portuguesa Real Seguros vai participar
no capital social de uma nova companhia de seguros
que deverá iniciar a sua actividade no mercado
angolano durante o próximo ano, revelou hoje
fonte ligada ao processo.
A
Nova Sociedade de Seguros de Angola, SA, resulta
de uma parceria entre o Banco Africano de Investimentos
(BAI), a seguradora portuguesa Real Seguros e a
Corporação Financeira Internacional
(IFC), que pertence ao grupo do Banco Mundial.
As três instituições assinaram
a 23 de Novembro, em Washington, um acordo de parceria,
estando ainda a decorrer negociações
para definir a participação de cada
um dos parceiros na estrutura accionista da sociedade,
cujo capital social também ainda não
está definido.
"O
que foi feito até agora foi apenas o acordo
entre os accionistas", salientou Carlos Bessa
Chaves, director de Marketing do BAI, em declarações
à Lusa, salientando a importância da
entrada da IFC na estrutura accionista da nova seguradora.
"É
a primeira vez que (a IFC) participa em Angola na
estrutura de uma sociedade financeira. A sua entrada
no mercado é muito importante para Angola",
frisou.
Bessa
Chaves referiu, no entanto, que ainda não
está definido o plano de negócios
da nova seguradora, que depende da realização
de estudos de mercado.
"Vão
ser realizados estudos de mercado que indicarão
o tipo de seguros e as espécies de contratos
que poderão ser disponibilizados pela empresa",
afirmou.
As
opções que o governo angolano vier
a tomar para o sector segurador condicionam também
as decisões da nova seguradora, nomeadamente
no que se refere ao seguro automóvel obrigatório,
cujo ante-projecto de lei foi aprovado pelo Conselho
de Ministros há cerca de três meses.
Nesta
área, o governo angolano pretende também
tornar obrigatórios os seguros de responsabilidade
civil de aviação e de infra-estruturas
aeronáuticas, tendo já aprovado a
legislação relativa ao seguro obrigatório
de acidentes de trabalho.
A
Nova Sociedade de Seguros de Angola será
a terceira seguradora a entrar no mercado angolano,
onde já estão actualmente a funcionar
a estatal Empresa Nacional de Seguros de Angola
(ENSA) e a privada Angola Agora e Amanhã
(AAA).
As
duas empresas de seguros actualmente existentes
em Angola arrecadaram cerca de 260 milhões
de dólares em prémios em 2002, ano
a que se referem os últimos dados oficiais
disponíveis.
Este
valor representa um crescimento significativo em
relação a 2001, quando o montante
dos prémios arrecadados se ficou pelos 86,8
milhões de dólares.
Antes
da independência do país, em 1975,
Angola tinha 26 companhias seguradoras a operar
em todo o território, sendo agora um dos
objectivos do governo neste sector a promoção
de uma cultura de seguros no país.
Nesse
sentido, o ministro angolano das Finanças,
José Pedro Morais, afirmou recentemente no
parlamento que "vão crescer rapidamente
nos próximos anos as facilidades para segurar
um bem, seja um carro ou um avião".
Segundo
o ministro, o desenvolvimento do sector segurador
em Angola deverá passar pela entrada em funcionamento
de novas empresas nos próximos anos, o que
permitirá aumentar a concorrência,
com a consequente melhoria dos serviços prestados
ao consumidor, que deverá também beneficiar
de um aumento da oferta de seguros disponíveis
no mercado.
Angola,
além das duas empresas seguradoras, possui
actualmente cinco sociedades corretoras e duas sociedades
gestoras de fundos de pensões, que exploram
uma dezena de fundos criados por instituições
públicas e privadas.
No
âmbito da reestruturação da
política nacional para o sector, o governo
angolano instituiu em 1998 os fundos de pensões
como complemento da protecção social
obrigatória, de forma a proteger a velhice
e a invalidez com pensões adicionais.
Recentemente
foi criado o Instituto de Supervisão de Seguros,
um organismo tutelado pelo Ministério das
Finanças, que tem como função
o controlo da actividade de seguros, resseguros,
fundos de pensões e mediação
de seguros.
(Lusa)