| EVOLUÇÃO
RECENTE DA ECONOMIA E PERSPECTIVAS PARA 2004
Introdução
O
Programa macro-económico de Angola para o ano
de 2004, definiu como principal objectivo a estabilidade
macro-económica, perspectivando alcançar
um crescimento económico de 13,2 por cento
previsto no Orçamento Geral do Estado (OGE)
e uma taxa anual de inflação até
20 por cento.
Para
alcançar esses objectivos foi decidido que
as Políticas Monetária e Fiscal continuariam
a ser conduzidas em estreita coordenação,
buscando o controlo sobre o crescimento da Base Monetária.
Na senda das medidas Monetárias e Cambiais
adoptadas pelo Banco Central em 2003, com o objectivo
de se adequar o controlo de liquidez na economia,
em Março do ano em curso começou-se
a implementar a norma relativa, a extensão
do Coeficiente de Reservas Obrigatórias para
15 por cento sobre os depósitos a ordem dos
bancos, tanto em moeda nacional como em moeda estrangeira,
junto ao Banco Nacional de Angola, podendo 7,5 por
cento sobre a base de incidência serem mantidos
em Títulos do Banco Central (TBC) ou Títulos
da Dívida Pública Directa de maturidade
superior a 63 dias. De igual forma, a partir do mesmo
período, a Taxa de Redesconto foi alterada
de 150 por cento, ao ano, para 95 por cento.
Por
outro lado, a Autoridade Monetária continuou
a criar condições para o melhor desempenho
dos mercados monetário e cambial e a supervisão
do Sistema Bancário foi reforçada.
Como
resultado, as autoridades conseguiram baixar os níveis
de inflação e a taxa de câmbio
do Kwanza, em relação ao Dólar
norte-americano, experimentou o período mais
longo de estabilidade dos últimos anos.
Desenvolvimento
Monetário e Financeiro
De
Janeiro a Agosto de 2004, o Panorama Monetário
e Financeiro de Angola conheceu melhorias consideráveis,
comparativamente ao período anterior, com o
abrandamento das habituais pressões expansionistas
induzidas pelos desequilíbrios das Finanças
Públicas, o reforço da posição
financeira do Banco Nacional de Angola, bem como o
aumento da eficácia na condução
da Política Monetária, o que resultou
num período de relativa estabilidade da taxa
de câmbio, bem como na contenção
da inflação a níveis relativamente
baixos.
O
cenário observado no período em análise,
pode também ser explicado, por uma série
de medidas de Políticas Monetária e
Cambial, que o Governo foi implementando, como complemento
ao Pacote de Medidas de Liberalização
Cambial e Monetária, iniciado em 1999.
O
controlo da Base Monetária foi a meta operacional
seguida pelo Banco Central, através de operações
nos Mercados Monetário e Cambial Interbancários.
Assim, no período em análise, a Base
Monetária expandiu-se em apenas 3,37 por cento.
Por seu lado, a Reserva Monetária contraiu-se
em cerca de 1,60 por cento, o que se explica pelo
comportamento dos Títulos do Banco Central,
cuja contracção do stock acumulado até
Agosto de 2004, em relação a Dezembro
de 2003, rondou a volta dos 26,29 por cento. Importa
referir que com vista a atrair o maior número
de participantes ao mercado de títulos públicos,
o BNA começou, em Agosto do ano em curso, a
efectuar a venda directa de TBC e de BT a empresas
não bancárias e a pessoas singulares
no mercado secundário.
No
período em análise, os meios de pagamentos
(M2) cresceram 16,12%, reflectindo um efeito maior
do multiplicador monetário ao passo que, o
crescimento do M2 em moeda nacional 7,26% foi inferior,
o que se explica pelo efeito da variação
cambial sobre o M2.
Desenvolvimento
da Taxa de Juro
No
mês de Janeiro de 2004, devido as operações
de mercado, as taxas de juro indicativas dos TBC,
sofreram algumas alterações, ou seja,
na primeira quinzena as mesmas nas maturidades de
28 e 63 dias, alcançaram níveis altos
(47 por cento e 56,25 por cento), tendo as taxas de
mercado seguido essa tendência. Na segunda quinzena
do mês, houve um ajuste das taxas médias
de juro indicativas nas mesmas maturidades, reduzindo-se
para 35 por cento e 38 por cento, o que contribuiu
para a redução dos encargos do BNA.
De Fevereiro a Julho de 2004, as taxas médias
de juro nominais dos TBC, estiveram próximas
das taxas indicativas do BNA. Em Agosto de 2004, as
taxas de juro de mercado nas maturidades de 28, 63,
91 e 182 dias foram de 45,55 por cento, 45,14 por
cento, 41,62 por cento e 58,87 por cento, respectivamente,
reflectindo assim, um aumento da procura dos TBC,
porquanto as mesmas situaram-se abaixo das taxas indicativas,
que foram de 52,40 por cento a 28 dias, 55,78 por
cento a 63 dias, 54,67 por cento a 91 dias e 64,56
por cento a 182 dias.
A
análise ex-post das taxas de juro real dos
TBC, evidencia que, de Janeiro a Agosto de 2004, as
mesmas foram positivas, tendo em conta que, o nível
de inflação registado no período,
situou-se abaixo das taxas de juro de mercado, permitindo
aos investidores no mercado de Activos em moeda nacional,
uma maior rentabilidade, excepto nos meses de Fevereiro
nas maturidades de 28, 63 e 91 dias, Abril na maturidade
de 28 dias e Maio em todas as maturidades, onde as
taxas de juro real foram negativas. Em relação
aos Bilhetes do Tesouro (BT), as taxas médias
de juro de mercado no período, situaram-se
próximas das taxas indicativas.
Relativamente
as taxas de juro dos depósitos e dos créditos
para o Sector Empresarial em moeda nacional, não
houve alterações significativas em termos
nominais de Janeiro a Agosto de 2004, contudo, para
o Crédito a particulares, a taxa de juro diminuiu
na maior parte das maturidades. Quanto as taxas de
juro para os depósitos em moeda estrangeira,
no período em análise observaram um
comportamento oscilatório.
Desenvolvimento
Fiscais
As
autoridades perspectivaram a continuidade da condução
de uma Política Fiscal restritiva para 2004,
baseada, por um lado, na extensão da Base Tributária,
redução da carga fiscal e racionalização
das Despesas Públicas e, por outro lado, levar
a cabo uma Política Fiscal de forma a assegurar
os bens e serviços públicos e semi-públicos
fundamentais, a sustentabilidade do crescimento económico
com base no Pleno Emprego dos factores de produção
e, a igualdade social, como objectivos de longo prazo.
Igualmente
foram feitos esforços para melhorar a coordenação
institucional entre o Banco Central e o Tesouro Nacional,
com o objectivo de garantir o equilíbrio entre
o aumento dos agregados monetários e as execuções
fiscais, no âmbito do monitoramento da liquidez
em circulação na economia.
Com
base no aumento das receitas decorrentes da valorização
do preço do petróleo, o Governo angolano
decidiu pela criação de um Fundo para
gerir ganhos com o preço do petróleo
que permitirá que estes possam ser preservados
para eventuais quedas do preço do petróleo
no futuro. Assim, os ganhos que se registarem ao nível
da arrecadação fiscal serão canalizados
para o fundo de reserva.
Desenvolvimento
da Dívida
O
novo sistema informático para o registo e gestão
da Dívida (DMFAS) já está instalado
e disponibilizado. O projecto foi implementado com
a assistência técnica do MEFMI e do Banco
Mundial e irá proporcionar informação
a diferentes níveis que permitirão uma
melhor gestão da dívida externa e a
realização de análises de sustentabilidade
da Dívida Externa.
As
autoridades continuaram as negociações
bilaterais com alguns credores, tais como, Alemanha,
Portugal e Polónia para a reestruturação
e reescalonamento da dívida com base em acordos
bilaterais. Os acordos com a Alemanha e Polónia
foram implementados, tendo parte da dívida
sido perdoada e a outra parte paga de acordo com seu
novo programa de reescalonamento. O acordo com Portugal
manteve-se em fase de conciliação de
informação.
Angola
continuará em acordos com credores internacionais,
tal como, o Brasil e a França, bem como, os
financiamentos à Balança de Pagamentos.
Desenvolvimento
do Sector Real
As
estimativas apontam para uma aceleração
da actividade económica em 2004. O crescimento
do PIB foi estimado em 13,2 por cento contra 4,3 por
cento em 2003. Embora não estejam disponíveis
dados fiáveis sobre a evolução
do sector real da economia, o facto de que o crescimento
dos preços não foi muito além
do crescimento dos meios de pagamento sugere que parte
do crescimento da massa monetária no ano em
curso esteja a ser absorvido pelo crescimento da própria
economia.
Inflação/Desenvolvimento
dos Preços
De
Janeiro a Agosto de 2004, a inflação
acumulada situou-se ao nível dos 21,86% contra
58,14% em igual período do ano anterior. Desde
o início do ano observou-se uma redução
substancial nos níveis mensais de inflação
comparativamente ao ano anterior, não obstante
a aceleração observada no nível
geral de preços em Maio (4,49 por cento), na
sequência do reajuste dos preços administrados,
com destaque para os preços dos combustíveis
cujo efeito se faz geralmente sentir sobre os produtos
das demais categorias de bens e serviços. Em
Junho, o ritmo de crescimento dos preços voltou
a abrandar (1,96 por cento), o mesmo acontecendo em
Julho (1,45 por cento), vindo, no entanto, a acelerar-se
ligeiramente em Agosto para 1,60 por cento. Assim,
a inflação acumulada até Agosto,
apesar de ter ultrapassado a meta prevista (20 por
cento) situou-se muito abaixo do resultado obtido
no mesmo período de 2003, reflectindo o enorme
esforço empreendido pelas autoridades na estabilidade
dos preços. De referir, contudo, que a maior
pressão no nível geral de preços
destacou-se fundamentalmente na classe “ Alimentação
e Bebidas não Alcoólicas”, cuja
contribuição no aumento do nível
global de preços tem sido a mais elevada pelo
facto de possuir o maior índice de ponderação.
Em
suma, o sucesso relativo, no controlo das pressões
inflacionárias deveu-se a:
•
Um melhor controlo monetário resultado da estreita
coordenação entre a execução
das políticas fiscal e monetária;
•
Estabilidade relativa da moeda nacional em relação
ao Dólar americano, o que influenciou os preços
através da importante componente de produtos
importados no IPC.
Desenvolvimento
do Sector Externo
Posição
de Reserva
Não
obstante o aumento das vendas efectuadas no mercado
cambial, no período em análise, as Reservas
Internacionais Líquidas (RIL) ao passarem de
USD 623,34 milhões em Dezembro de 2003 para
US$ 920,29 milhões em Agosto de 2004, registaram
uma expansão na ordem dos USD 296,95 milhões.
Taxa
de Câmbio
A
moeda nacional conheceu no período em referência
uma depreciação acumulada de apenas
7,91 por cento contra 44,36 por cento registados em
igual período de 2003, reflectindo a relativa
estabilidade que a mesma experimentou no período.
Este
comportamento deveu-se fundamentalmente, ao efeito
positivo das medidas monetárias adoptadas pelo
Banco Central, que levaram à redução
da liquidez na economia, a redução da
pressão na procura por cambiais e as expectativas
positivas acerca da disponibilidade de cambiais .
Perspectivas
Futuras
Para
o final do ano de 2004, o Governo perspectiva prosseguir
com o seu Programa de Estabilização
macro-económica, devido aos resultados encorajadores
alcançados em termos de redução
da inflação.
De
recordar que o Programa Macro-económico do
Governo perspectivava alcançar uma taxa anual
de crescimento económico de 13,2 por cento,
dos quais 16,5 por cento no sector petrolífero
e 9,1 por cento no sector não petrolífero;
uma taxa anual de inflação a volta dos
20 por cento e um défice fiscal em base de
caixa da ordem dos 3,06 por cento do PIB.
Em
termos de Política Fiscal as autoridades perspectivam
continuar com a melhoria da administração
fiscal, a reforma tributária, a melhoria e
modernização do sistema de arrecadação
de receitas quer do sector petrolífero como
não petrolífero, o reforço da
luta contra a fraude e evasão fiscais, bem
como, a aceleração do programa de reforma
das empresas públicas e do programa de privatizações.
A Política Fiscal também pretende conceder
incentivos fiscais e financeiros às actividades
económicas de acordo com as prioridades do
Governo.
O
Banco Central continuará a continuar a conduzir
uma Política Monetária restritiva, tendo
o controlo da Base Monetária como objectivo
operacional, a ser alcançado através
da utilização de instrumentos indirectos
consubstanciados, essencialmente, em operações
nos Mercados Monetário e Cambial interbancários.
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